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Beach tennis para padel: o que muda na quadra de vidro

6 min de leitura

Quem vem do beach tennis chega ao padel com vantagem na mão e desvantagem no pé. A leitura de voleio, o reflexo na rede e o hábito de jogar em dupla vêm prontos. O que atrapalha é o resto: a bola quica, o saque é por baixo e existe uma parede atrás de você.

O Brasil é o país onde essa migração mais acontece. Segundo a Confederação Brasileira de Tênis, citada pela Federação Paranaense de Tênis em abril de 2025, o beach tennis saiu de 400 mil praticantes em 2021 para 1,1 milhão em 2023. Do outro lado, a Confederação Brasileira de Padel falou à Exame em janeiro de 2026 em cerca de 350 clubes, 700 mil jogadores amadores e três quadras novas inauguradas por dia. Muita gente vai jogar os dois. Este texto é pra quem está fazendo a travessia da areia pro vidro.

Se você vem do tênis e não da areia, o texto certo é o guia de regras do padel para quem vem do tênis.

A bola quica, e você precisa deixar

No beach tennis, bola na areia é ponto perdido. Cada lado tem um toque e a bola nunca pode cair. Pelas regras do beach tennis da ITF, o jogo inteiro acontece no ar.

No padel a bola pode quicar uma vez no piso antes de você bater. E o mais difícil de aceitar: ela pode quicar no piso e depois bater no vidro, e continua em jogo. Quem vem da areia tem o reflexo de atacar tudo de primeira, e isso vira erro não forçado quando a bola está descendo rápido perto do vidro. Deixe quicar. Deixe bater na parede. A bola volta.

O saque é por baixo e você tem duas chances

No beach tennis o saque é livre, quase sempre por cima, e você tem uma tentativa só. Bola na fita que passa continua em jogo, sem let.

No padel o saque é obrigatoriamente por baixo. Você solta a bola, deixa quicar atrás da linha de saque e bate com a raquete na altura da cintura ou abaixo, na diagonal. Tem duas tentativas, como no tênis. O saque que toca a fita e cai na área certa é let e repete. A altura do contato é a polêmica mais comum da regra, e o Portal Super Padel destrinchou o que a regra e os árbitros dizem sobre isso.

Um detalhe que pega todo mundo: depois de quicar na área de saque, a bola do saque pode tocar o vidro e o ponto segue. Se tocar a grade de alambrado, é falta.

A parede é sua amiga, não um limite

No beach tennis a quadra acaba na linha. Bola que passa da linha de fundo é ponto do adversário.

No padel a quadra tem 20 por 10 metros fechada por vidro e grade. Bola que passa de você e bate no vidro continua viva. Você pode correr atrás, deixar ela sair do vidro e devolver. Você também pode usar a sua própria parede de propósito: bater na bola contra o vidro de trás pra ela cruzar a rede. É a jogada mais estranha pra quem vem da areia e a que separa quem joga padel de quem joga beach tennis numa quadra de padel.

A grade é diferente do vidro. Bola que bate na grade da sua quadra depois de quicar continua em jogo, mas quica torto. Bola direta na grade do adversário, sem quicar antes, é ponto perdido.

Contagem: adeus ponto de ouro obrigatório

No beach tennis o game é sempre no-ad: em 40 a 40 se joga um ponto decisivo e quem recebe escolhe o lado. Isso vale nas regras da ITF e nas da Confederação Brasileira de Beach Tennis de 2025.

No padel amador a contagem tradicional com vantagem ainda é a regra na maioria dos clubes brasileiros. O ponto de ouro existe e é usado no circuito profissional, mas não é o padrão no racha de quarta à noite. Pergunte antes de começar. O set fecha em seis games com dois de diferença e tie-break em 6 a 6 nos dois esportes.

A rede é baixa e o smash não decide

A rede do beach tennis fica a 1,70 metro, mais alta que a cabeça de muita gente. A do padel tem 88 centímetros no centro. Isso muda tudo no ataque.

Na areia, o smash bem colocado é ponto. No padel, um smash forte sem intenção bate no vidro de fundo e volta pro adversário, às vezes pro meio da sua quadra. Por isso o padel tem a bandeja, um golpe alto de controle que mantém a rede sem entregar o ponto. Se os nomes estão soando estranhos, o glossário do padel explica bandeja, víbora e o resto.

Pé no piso, não na areia

O beach tennis castiga a perna. O padel castiga o tornozelo e o joelho. O piso de grama sintética com areia fina é firme e a frenagem é seca, e o padel tem muito mais mudança de direção curta do que corrida. Tênis de areia ou de corrida escorrega e trava errado. Use calçado de quadra, com solado que segure na lateral.

A raquete não serve, mesmo parecendo igual

A raquete de beach tennis é furada, fina, em torno de 22 milímetros, feita pra cortar vento e bater no ar. A de padel tem 38 milímetros, é mais pesada e tem furos que servem pra outra coisa: aliviar peso e melhorar o balanço, não a aerodinâmica. Jogar padel com raquete de beach tennis dá uma bola sem peso e um pulso reclamando no dia seguinte. Se vai comprar a primeira, o guia de como escolher raquete de padel resolve a dúvida.

O que vem pronto da areia

Nem tudo é desaprender. Três coisas que o beach tennis entrega prontas:

A adaptação real leva umas cinco partidas. A primeira é sempre a mesma cena: atacar de primeira bola que ia quicar boa, esquecer que a parede existe e sacar por cima por reflexo. Na quinta o pé já espera a bola sair do vidro.

Se ainda não jogou nenhuma, o caminho começa no guia completo de padel para iniciantes. E se o problema é achar dupla e quadra pra essa primeira partida, o app Bora mostra partidas abertas com vaga e o nível de quem está jogando, o que evita cair num racha de nível 6 na sua primeira semana de vidro.

Jogar padel com o Bora